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Sistemas de Produção Dispersa PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

 Apesar do sistema eléctrico convencional apresentar uma grande maturidade de funcionamento, tem-se verificado nos últimos anos uma evolução para um paradigma de operação mais descentralizado, onde se privilegia a integração de sistemas de produção dispersa, aumentando a exploração das energias renováveis e a eficiência no uso da electricidade. Na origem desta mudança de estratégia estão essencialmente os seguintes factores:

- Elevados custos na expansão ou construção de novas redes eléctricas e centrais de produção;

- Aumento do consumo e exigência de maior fiabilidade e sustentabilidade do sistema;

- Aumento do preço dos produtos petrolíferos;

- Elevados custos provocados pela interrupção no fornecimento de energia;

- Crescente preocupação com as questões ambientais;

- Elevadas perdas de energia nas redes eléctricas, aumentando com isso os custos da electricidade;

- A liberalização do mercado de energia;

- Necessidade de diversificar as fontes de energia primária;

- Grande desenvolvimento da tecnologia de produção de energia, nomeadamente dos sistemas de produção através do aproveitamento de energias renováveis;

- Necessidade de reduzir as emissões de gases de efeito de estufa (GEE), de modo a cumprir as obrigações estabelecidas nos acordos internacionais.

A crescente integração de sistemas de produção dispersa com o sistema convencional deu origem a uma nova estrutura do sistema eléctrico de energia. A Produção Dispersa (PD) é uma produção eléctrica de pequena dimensão orientada para alimentar directamente os consumidores no local, normalmente implementada no local de consumo. Este tipo de produção caracteriza-se pela capacidade de captar/aproveitar um recurso energético distribuído ou descentralizado baseado em tecnologias renováveis ou nem tanto, ou seja, o aproveitamento de energia eólica, solar, geotérmica, ondas, marés, biogás, biomassa, geradores de combustão, microturbinas, pilhas de combustível, etc.

A dimensão dos sistemas de PD poderá ser considerada relativamente pequena quando comparada a produção centralizada, podendo variar em função da tecnologia utilizada podendo atingir as várias dezenas de MW na Cogeração ou parques eólicos, até potências inferiores a 10 kW. Para os sistemas de produção dispersa, onde são utilizadas tecnologias com potências até 100kW, é habitualmente designado por sistemas de microgeração ou microprodução. Em Portugal, o conceito de microgeração está legislado através do decreto-lei 68/2002 de 25 de Março, definindo-a como sendo a produção de energia eléctrica em baixa tensão, destinada predominantemente a consumo próprio, sem prejuízo de poder entregar a produção excedente a terceiros ou à rede pública de baixa tensão, sendo que a potência entregue à rede não poderá ser superior a 150 kW.

Inicialmente, os sistemas de produção dispersa estavam condicionados pelo elevado custo da tecnologia utilizada, tornando os projectos insustentáveis face ao preço da electricidade praticado no sistema convencional de produção. Perante esta situação, os diversos governos interessados no aproveitamento das energias endógenas, tomaram uma série de medidas no sentido de incentivar e potenciar o crescimento deste tipo de sistemas, nomeadamente com a criação de legislação própria e a adopção de medidas de incentivos de modo a tornar os projectos aliciantes para os promotores. Estas medidas de incentivos visam não só aumentar a quantidade de energia eléctrica produzida por meio do aproveitamento de energias renováveis, mas também possibilitar que a utilização em larga escala da tecnologia dos sistemas de produção dispersa permita reduzir o seu preço e permitir que este tipo de projectos sejam viáveis e auto-sustentáveis a médio prazo.

 

 

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